segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

5 toques para quem pensa em fazer uma transição de carreira

Da investigação do motivo da insatisfação ao planejamento da transição, confira o que os especialistas recomendam quando o assunto é mudança de carreira



Até o mais bem sucedido profissional não está livre de, em algum momento da vida corporativa, ver surgirem no horizonte dúvidas sobre a trajetória de carreira a seguir. Não há como prever quando a vontade de dar uma guinada vai aparecer.

O importante, na opinião dos especialistas, é estar preparado para notar os sinais de insatisfação e ter bem claras todas as etapas necessárias para minimizar riscos e tomar a decisão de forma mais assertiva.
Pensando nisso, EXAME.com selecionou reportagens que trazem as melhores dicas para profissionais que consideram ou que já estão em processo de transição de carreira. Confira:
1. Descubra se você está realmente no lugar errado
Você passou a semana inteira contando as horas para o sábado chegar? Um dos sinais de que você está no emprego errado é encontrar satisfação e felicidade única e exclusivamente durante o seu período de folga. 
Segundo especialistas, a falta de motivação para encarar o expediente deve ser investigada cuidadosamente. Os motivos para ir se arrastando todos os dias para o trabalho podem ser diversos e não necessariamente significam que você fez uma escolha errada de carreira. 
Verifique se o frio na barriga - só de pensar em colocar os pés nos escritório - está associado ao seu baixo desempenho. Trabalhar apenas pensando no dia de pagamento também pode ser um sinal de que é hora de apostar em uma mudança.
2. A mudança é de emprego, carreira ou de profissão?
Os sinais de insatisfação estão claros, a próxima etapa é decidir o que você deve mudar. Se o problema está ancorado na relação com o chefe ou na cultura da empresa o cartão vermelho vai para o seu emprego atual. Converse com colegas, procure recrutadores e pesquise empresas que estejam adequadas ao seu perfil profissional. 
Mas, a infelicidade pode estar relacionada a sua atuação como profissional. Se você não gosta do que faz, tenha clara a diferença entre carreira e profissão. Uma mesma profissão compreende várias carreiras.
Antes de rasgar o seu diploma, considere todos os campos de atuação e possibilidades dentro da sua profissão. Mudanças de carreira dentro de uma mesma profissão são saudáveis e ampliam o seu escopo de atuação. Se você quer mudar e não enxerga nenhuma possibilidade dentro da sua atual profissão, é sinal de a mudança pode ser mais radical. 
3. Investigue suas habilidades e talentos
Faça uma consulta interna. A partir de uma autoanálise descubra onde e em que você quer trabalhar. Não é o mercado de trabalho quem vai ditar a mudança, e,sim, o seu interesse e as suas competências. Trabalhar em algo em que você utilize suas habilidades e talentos já é meio caminho andado rumo à satisfação profissional.
4. Liberte-se dos mitos
Deixar uma atividade consolidada e partir para o novo demanda coragem e planejamento. Anúncios de transição de carreira geralmente são acompanhados de desconfiança e recebem uma avalanche de críticas.
“Você vai desperdiçar todo o conhecimento adquirido até aqui”, “só quem está em início de carreira pode mudar”, “satisfação não existe, o que vale é pagar as contas”, são alguns dos mitos despejados em quem revela que vai mudar de carreira ou de profissão.
Nada disso, se confirma, revelam especialistas e profissionais que já passaram por uma transição. Portanto, fuja deste tipo de pensamento pois eles são como algemas que o impendem de fazer a movimentação profissional necessária.
5. Monte um roteiro para a transição
Uma transição tranquila é feita em etapas. Planeje-se financeiramente. Mudanças não são fáceis e, na maior parte das vezes, haverá perda temporária de remuneração. 
Separe também uma parte da sua reserva financeira para apostar em cursos relacionados a sua nova área de atuação. É uma ótima maneira de começar a fazer networking e expandir a sua rede de contatos. 
Verifique as oportunidades profissionais existentes na área escolhida, converse com headhunters, monte um currículo com objetivo profissional alinhado a sua nova aposta. E, boa sorte!

Trabalha com redes sociais? 6 passos para lidar com clientes nervosos

Se você não sabe como lidar com clientes nervosos nos perfis de sua empresa nas redes sociais, veja seis passos que podem ajudá-lo a enfrentar o desafio com sucesso


Crédito: Shutterstock.comUm único comentário, foto ou tweet pode se transformar na pior crise dentro de qualquer empresa. Clientes nervosos, insatisfeitos e revoltados podem causar um verdadeiro estrago nas páginas e perfis nas redes sociais de qualquer companhia, seja ela uma pequena empresa familiar ou uma multinacional bilionária.
Para resolver esse tipo de problema, confira seis passos que irão ajudar você a sobreviver esse tipo de crise:
1. Defina o que é uma crise
Não pense que qualquer reclamação de um cliente no Facebook pode ser considerada uma crise nas redes sociais. Enxergue a crise como uma falta de simetria das informações, ou seja, que a empresa sabe menos sobre determinada situação do que o público em geral, possibilitando mais oportunidades de ser deixada para trás por competidores e outros clientes, talvez ainda mais revoltados.
2. Informe-se sobre a situação
Antes de qualquer resposta ou comentário, procure o máximo de informações sobre o assunto que conseguir reunir. Não admita qualquer tipo de culpa imediatamente. Isso poderia provocar ações legais, mas deixe claro para o cliente e público em geral que os responsáveis ou especialistas estão trabalhando para resolver o problema e reunindo informações sobre ele para lidar com a situação da melhor maneira possível.
3. Estabeleça um núcleo de informações
Use o site oficial da empresa ou blog para montar uma espécie de FAQ de emergência. Esse núcleo de informações servirá para dois propósitos: publicar tudo que a empresa sabe e que pode ajudar os clientes e membros da impressa a reunir detalhes da situação rapidamente. A segunda meta, e mais importante, éneutralizar a conversa nas redes sociais. Quanto mais informado o público estiver e se sentir respeitado e confortável, menores as chances de reclamarem no Facebook ou Twitter.
4. Ofereça um espaço seguro para reações
As pessoas afetadas pelo problema – clientes, membros da comunidade e até mesmo funcionários – talvez ainda tentem expressar suas frustrações online. Disponibilizar uma seção de comentários ou quadro de avisos pode corresponder a esses desejos de maneira que muita atenção não seja focada no problema e atualizações das redes sociais.
5. Documente suas ações
Se a empresa for responsável pela crise em questão, talvez você deva fazer mais do que apenas dizer “faremos melhor da próxima vez”. Mostre aos clientes quais são as reais ações que a companhia tem tomado para resolver e impedir que o problema ocorra novamente e deixe que o trabalho realizado pós-crise satisfaça os clientes.
6. Seja autêntico
Quando uma crise é causada sem que a culpa seja da empresa, responda de tal maneira que sua devolutiva não esteja ou aparente estar na defensiva. Deixe os fatos falarem por si mesmos e garanta que seus clientes continuem comprometidos com os ideais da marca.

Cuidado nas redes sociais ajuda a não perder vagas de emprego

Para muitas pessoas, a falta de preparo e atenção no uso das redes sociais está dificultando a tarefa de conseguir um emprego. Isso ocorre porque o excesso de exposição nessas mídias traz à tona comportamentos, pensamentos e ações que não condizem com a expectativa que as corporações têm de seus futuros colaboradores.

     O crescimento da demanda na internet trouxe consigo pessoas despreparadas e deseducadas para lidar com essa ferramenta e, conseqüentemente, uma série de equívocos no relacionamento com essa tecnologia são cometidos. Não digo com isso que a web seja uma armadilha para aqueles que lidam com ela, apenas que treinamento e bom senso são imprescindíveis para que os que interagem com esse meio de comunicação não acabem minando suas chances frente a uma boa vaga.
     Não precisamos ir muito longe para localizar casos de executivos bem sucedidos que perderam seus empregos por causa de comportamentos excessivos no twitter, por exemplo. Falar mal do seu lugar de trabalho, ações que a empresa onde trabalha está realizando, ou escrever impropérios relacionados a times de futebol, especialmente se patrocinados pela corporação onde atua, freqüentemente são interpretados como motivadores da dispensa do profissional.
     De acordo com os porta-vozes de entidades que defendem a segurança na internet, o maior problema é que as pessoas acham que a internet é um mundo virtual onde o que fazemos não é visto quando na verdade é uma extensão do mundo real. Isso significa que tudo o que acontece no mundo real existe na web e as conseqüências das escolhas na rede são sentidas na pele. 
     No caso das redes sociais, os profissionais precisam ter em mente que as informações postadas nestas ferramentas têm um maior alcance do que por meio da “rádio peão” no cafezinho. 
     Assuntos sobre interesses pessoais, como artes, relevantes a área em que a pessoa atua como artigos, e até impressões sobre determinados temas são bem vindos e ajudam no networking dos usuários dessas ferramentas. Por exemplo, um profissional da medicina que posta informações no twitter ligadas a prevenções de alguma epidemia corrente, dicas de higiene e cuidados para prevenir alguns acidentes domésticos com crianças, além disso, possui um blog onde divulga seus artigos sobre a área e propõem uma discussão mais profunda sobre temas ligados a ela, acaba virando uma referência no assunto. 
     Devemos sempre ter em mente que o que fazemos na internet é de domínio público, portanto os recrutadores recebem os currículos, selecionam aqueles que melhor se adéquam as vagas nas empresas onde atuam e procuram na web os perfis dos candidatos. Desta forma podem ter uma idéia melhor sobre as crenças e padrões de ação dessas pessoas antes de entrevistá-las.
     Que tenhamos sempre em mente que tudo o que fazemos na internet deve ser bem pensado já que, dependendo das ações, podemos perder nossos empregos, ou até ter problemas com a justiça, pois crimes cibernéticos não deixam de ser contravenções por serem praticados no ambiente virtual nem ficam sem punições.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O que é preciso para ser um líder?

Liderança é um tema que desperta bastante interesse, não só pela importância, mas por ser sempre atual. Muita coisa já foi escrita sobre liderança e o que me intriga são livros ou matérias de revistas que apresentam algo do tipo “O perfil do líder do futuro” ou algo como “Os dez mandamentos da liderança eficaz”. Afinal, existe um perfil ideal de liderança? O que torna alguém esse líder? Existe alguma “receita” para o sucesso nesse sentido?


    Respondendo a primeira pergunta, podemos considerar de forma pragmática que, para o mundo dos negócios, existe sim um perfil ideal, ao avaliarmos o que se espera de um líder. É aquele que consegue por meio das pessoas fazer com que uma organização gere resultados extraordinários nos negócios, conquistando mercado, encantando clientes, satisfazendo seus funcionários e enchendo os bolsos dos acionistas. Para realizar tal feito, é preciso uma combinação entre conhecer o negócio em que se atua e comportamentos sociais desenvolvidos, pois um líder deve ser capaz de fazer seguidores e saber para qual direção deve conduzi-los.
     É inegável que uma formação de respeito e principalmente boas experiências são fundamentais para que alguém desenvolva suas competências de negócio. No entanto, o sucesso de um profissional depende mais de aspectos comportamentais e inteligência emocional, o que fica evidente ao olharmos o histórico de grandes líderes. Aí é que as coisas se complicam, pois quem possui qualidades desejáveis como ter ótima capacidade de análise e ser dotado de um raciocínio lógico e impessoal, raramente consegue ser tão hábil ao avaliar o impacto humano de suas ações ou tomar decisões baseadas apenas em intuição. Ao tratarmos de comportamento, estamos nos referindo a tendências, que muitas vezes se apresentam como pontos opostos em uma dicotomia. Por exemplo: ou apresentamos tendência para ser racionais ou empáticos. E é este o ponto. É praticamente impossível encontrarmos uma pessoa que consiga reunir de modo excelente visão de negócio e habilidades comportamentais geralmente atribuídas e esperadas de um líder. É possível que se reúna um bom repertório de qualidades, mas ninguém é perfeito.
      A cada dia sou levado a crer que qualquer um que esteja disposto a lutar por uma boa causa e que consiga adeptos pode ser considerado um ótimo candidato a líder. O ser humano tem em sua natureza a necessidade de fazer o bem. É comprovado cientificamente que somos movidos à emoção e sentimos prazer quando fazemos o bem ou ajudamos o próximo. Basta observar os movimentos sociais diante de tragédias como recentemente o Tsunami devastador que atingiu o nordeste do Japão. E também é comprovado que temos uma necessidade de empatia e identificação com outras pessoas. Assim, acredito que a maior qualidade de um líder é ser humano, no que me refiro a ser capaz de errar – é bem verdade que é prudente não errar tanto – e agir como alguém que sabe que é falível, mas que tem coragem para se levantar e seguir em frente, mostrando capacidade de superação.
      Essa motivação para seguir lutando e superando adversidades, só é possível para quem se conhece bem a ponto de saber sonhar acordado, porque o sonho, neste contexto, talvez seja uma simples metáfora que nossa mente utiliza para materializar nossos mais profundos sentimentos de realização.
      Portanto, se pudesse dar um único conselho a quem anseia ser um líder eu diria para buscar sempre o autoconhecimento, pois só assim será capaz de entender o mundo e escolher qual papel gostaria de exercer nele. Como diria Carlos Drummond de Andrade: “O importante não é estar aqui ou ali, mas ser. E ser é uma ciência delicada, feita de pequenas-grandes observações do cotidiano, dentro e fora da gente. Se não executarmos essas observações, não chegamos a ser: apenas estamos, e desaparecemos.”

Negocie o salário hoje para não sofrer amanhã

Para especialistas,um acordo salarial ruim quando surge a proposta de emprego pode pesar no longo prazo.


     Negociar o seu salário? Com a atual situação da economia? Muitos trabalhadores em busca de emprego nos Estados Unidos ficariam deslumbrados ao receber uma proposta de trabalho. Mas devem achar penoso e mesmo arriscado barganhar sobre o salário com um desemprego tão elevado.
     As pesquisas mostram que, mesmo quando as condições econômicas são favoráveis, as mulheres em geral relutam mais do que os homens em negociar um salário maior que o oferecido inicialmente.
     Mas não negociar pode ser um erro cujas consequências se repercutirão ao longo dos anos, afirma Linda C. Babcock, professora de Economia na Carnegie Mellon University, especializada em negociação. Como a maior parte dos aumentos se baseia em reajustes porcentuais, ela observa, todos os aumentos futuros - assim como as contribuições para a aposentadoria - provavelmente serão menores do que se fosse negociado um salário maior logo de início.
     Algumas pessoas temem que uma proposta de emprego seja rescindida se ousarem pedir uma remuneração mais elevada, e que o empregador passe para o próximo candidato, afirma Barbara Safani, proprietária da Career Solvers, uma empresa de gestão de carreiras de Nova York. Entretanto, ela diz que isto é muito improvável, se você souber negociar de maneira razoável.
     No entanto, é fácil compreender por que a ideia de uma negociação salarial dá medo. É porque o empregador quase sempre tem todas as cartas do jogo, e poderá pedir que o candidato abra mão das poucas que tem, exigindo que revele prematuramente o salário anterior e suas expectativas quanto à remuneração.
     Em geral, se os empregadores tentam resolver a questão do salário no início da entrevista, o candidato deveria fazer todo o possível para adiar essa discussão, e, se pressionado a fornecer valores, deve procurar ser vago ao máximo, afirma Barbara.
     Quando a pessoa recebe uma proposta, não deve aceitá-la imediatamente, ela sugere. É perfeitamente aceitável dizer que, embora você se sinta entusiasmado com o emprego, precisará de alguns dias para pensar no assunto.
     Nesse meio tempo procure esclarecer as suas prioridades, aconselha Barbara. O mais importante para você é conseguir determinado salário? Ou é a duração das férias, o número de horas do expediente, o grau de responsabilidade ou alguma outra coisa? É importante que você reúna o máximo de informações sobre o cargo, antes da primeira entrevista e depois da proposta.
     E converse com todas as pessoas que conhece naquela companhia, ou de outras como ela. Não deve perguntar diretamente quanto ganham, afirma a professora Babcock. Mas pergunte: "Na sua opinião, qual seria um bom salário para este cargo?" Essa pesquisa ajudará a determinar o seu valor real no mercado de trabalho e poderá servir de base para decidir até que ponto está disposto a negociar - mesmo que agora você esteja desempregado. Em geral, quando o candidato está disposto a negociar, "não peça quanto você quer, peça mais do que você quer", diz Babcock. "Você pode pedir pelo menos 10% a mais do que lhe é oferecido".
     Limite. Às vezes, entretanto, o empregador tem um limite salarial que não pode ultrapassar, observa Rusty Rueff, especialista em carreiras e locais de trabalho da Glassdor.com. No entanto, há muitas maneiras de contornar a situação de maneira a você se sair bem. Suponhamos que você receba uma proposta salarial de US$ 100 mil por ano, mas que você pretenda US$ 110 mil, e o empregador diga não. Peça uma bonificação no fim do primeiro ano se você atingir as metas de desempenho, ele diz, ou, dependendo do setor, tente conseguir uma participação acionária na companhia.

Adote um comportamento leve no trabalho

Os americanos Adrian Gostick e Scott Christopher lançaram um livro que defende a tese de que profissionais bem-humorados ganham mais e são mais produtivos.

     Dar uma boa risada diminui os níveis de estresse, reduz a pressão arterial e até combate dores. Além dos benefícios para a saúde, manter o espírito leve ajuda no desenvolvimento profissional. Esta é a tese do livro The Levity Effect (O efeito leveza, em português), dos americanos Adrian Gostick, expert em análise organizacional e co-autor do best-seller empresarial O Princípio do Reconhecimento (Editora Campus/Elsevier, R$ 66), e do humorista Scott Christopher, publicado pela Editora John Wiley & Sons, ainda inédito no Brasil. Segundo a dupla, um ambiente de trabalho "leve" favorece o crescimento pessoal e aumenta a satisfação profissional, além de contribuir positivamente para o faturamento da empresa. Por leve entenda-se um local em que há liberdade para conversas, brincadeiras e, eventualmente, algumas piadas.

     Profissionais bem-humorados também são os primeiros a ser lembrados pelo presidente da empresa quando o assunto é promoção. Um estudo da consultoria americana Hodge-Cronin & Associates apontou que 98% de 737 altos executivos contratariam ou promoveriam o boa-praça no lugar do carrancudo. Mas Scott alerta: ter alto-astral não significa que você precisa se transformar no palhaço do escritório. “Leveza não tem a ver com gargalhadas fora de hora, e sim com a vontade de encarar os problemas com otimismo sem deixar de apresentar bons resultados”, diz ele. 

AVIÕEZINHOS E PRODUTIVIDADE 
     Os irmãos paulistanos Guilherme e Maurício de Almeida Prado, de 33 e 37 anos, respectivamente, são adeptos do bom humor no trabalho. Formados em administração de empresas, eles fundaram em 2001 a agência de promoção de eventos Plano1 e se preocuparam em instituir uma cultura de descontração, que é construída desde o processo seletivo. Para entrar na companhia é essencial ter bom relacionamento interpessoal e espírito positivo. “Um profissional sério não se adaptaria bem ao nosso clima”, diz Maurício. Os 85 funcionários da Plano1 comemoram o alcance das metas com almoços temáticos fora do escritório, podem contar histórias engraçadas na newsletter da agência e até participar de campeonatos de aviãozinho de papel — no ano passado, os profissionais foram até o campus da Universidade de São Paulo para lançar as dobraduras. 

      Os donos dos aeroplanos mais velozes e performáticos foram premiados com brindes. A Acesso, empresa paulistana de digitalização de documentos, também cultiva o clima de diversão. A cada 15 dias, os funcionários participam de um café da manhã coletivo, repleto de guloseimas, no qual são estimulados a contar histórias pessoais. “É comum ouvir funcionários que vieram de outras empresas dizendo que trabalham melhor na Acesso porque se sentem à vontade para ser eles mesmos”, diz Diego Torres Martins, fundador da empresa. Ao contrário do que possa parecer, participar de práticas divertidas não prejudica a produtividade. 

      Uma pesquisa citada no livro The Levity Effect mostra que um aumento de cerca de 10% na satisfação dos funcionários no trabalho resulta num crescimento de aproximadamente 40% em produtividade. “Se você trabalha com alegria e participa de programas que instigam o humor, consegue se concentrar mais para resolver problemas e cumprir metas difíceis, características fundamentais para se tornar um bom líder”, diz Thais Trevisan, consultora de comunicação estratégica da Hewitt Associates, consultoria em gestão de RH, em São Paulo. 

RIR PARA NÃO CHORAR 
     A coordenadora de marketing e sustentabilidade da Visa Vale, Raffaella Milfont, de 37 anos, costuma liderar uma equipe de quatro funcionários com o astral lá no alto: não é difícil ouvi-la dando risada pelos corredores. Ela credita parte de seu sucesso profissional à maneira leve, mas compromissada, de encarar o trabalho. Quando trabalhava em empresas mais sisudas, Raffaella sofria por ter de esconder esse traço de sua personalidade. “Sei que, depois de relaxar com o riso, consigo encontrar soluções para problemas complexos”, conta Raffaella. Isso acontece, em parte, porque a descontração estimula a criatividade. 

     O pesquisador do humor C.M. Consalvo, uma das fontes do The Levity Effect, afirma que o riso facilita a transição do sentimento de medo para o de segurança, o que, consequentemente, aumenta os níveis de pensamento criativo. Enfrentar a insegurança com otimismo é uma competência. 

     “Fazer comentários motivadores para colegas e subordinados em momentos difíceis, compartilhar as preocupações e chamar a equipe para uma reunião de novas ideias são atitudes importantes para quem quer encontrar boas soluções”, explica Aline Souki, professora de comportamento organizacional e gestão de pessoas da Fundação Dom Cabral, em Minas Gerais. 

     Para evitar o clima pesado no escritório nos períodos de estresse alto, o sócio-líder de auditoria da KPMG, Charles Krieck, de 47 anos, resolveu instituir, em 2009, o programa Busy Season. Em janeiro e fevereiro, época crítica para os auditores que estão em pleno fechamento de relatórios financeiros, os funcionários da empresa têm massagistas à disposição e recebem um par de ingressos de cinema, que devem ser usados, preferencialmente, para levar o namorado, a esposa, os filhos ou um amigo de fora do escritório para passear. 

     “Ações desse tipo fazem com que a tensão diminua e o espírito de equipe se fortifque”, diz Charles. Algumas atitudes bem simples ajudam os profissionais que querem manter essa forte união do time e melhorar o clima no escritório. “Cumprimentar as pessoas no corredor, agradecer publicamente aos funcionários que fizeram um trabalho excepcional, ser cortês quando precisar dar um feedback negativo, dar crédito quando a ideia que salvou um projeto não for sua, tudo isso faz com que você se torne querido por seus colegas — o que é fundamental para uma promoção, por exemplo”, diz Scott.

COMUNICAÇÃO EFICIENTE 
     O dramaturgo irlandês Bernard Shaw (1856-1950), autor de peças como Pigmaleão e César e Cleópatra, já alertava: “Se você pretende falar a verdade para as pessoas, seja engraçado. Caso contrário, corre o risco de ser assassinado”. Pode não ser tão trágico assim no dia a dia do trabalho, mas o humor faz com que os ouvintes se interessem mais pelo discurso e memorizem o que foi dito. Segundo os autores do livro, estudantes alcançam notas 15% maiores quando assistem às aulas de professores engraçados. Mas não é necessário tomar lições de comédia stand-up antes de conduzir uma reunião importante. 

     A comunicação descontraída é mais fácil do que parece. Scott dá a dica: “Começar o encontro comentando sobre aquele vídeo engraçado que está em alta no YouTube ajuda a diminuir a tensão e a estimular as pessoas a participarem da conversa”, diz. O mais importante é que você não esqueça que está conversando com pessoas, e não com computadores. “Caso contrário, ninguém vai prestar atenção ao que você diz.” Relaxar é o primeiro passo para comunicar melhor. Scott e Christopher dizem que é fundamental, antes daquela apresentação importantíssima, reservar alguns minutos para respirar fundo e se acalmar. “Você precisa controlar as suas emoções para mostrar o seu melhor potencial.” Na noite anterior, nada de perder o sono porque vai falar em público. “Repasse os tópicos mais importantes, ensaie na frente do espelho, prepare uma sacada bem-humorada e vá para cama cedo”, aconselha Scott. “O mau humor aumenta quando estamos cansados.” 

     Manter um diálogo transparente é outra medida importante. Na empresa de tecnologia Kaizen, a chefi a se reúne mensalmente com os funcionários para mostrar quais foram os resultados e as novas metas a serem cumpridas. A intranet também disponibiliza os valores de salários de todos os cargos da companhia. E a arquitetura aberta entre as estações de trabalho estimula a comunicação constante. “Todo mundo percebe que ajuda a empresa a crescer de verdade e se sente prestigiado, já que informações aparentemente sigilosas estão disponíveis e são de fácil acesso”, explica Daniel Dystyler, diretor de talentos da empresa.

E SE EU FOR MAL-HUMORADO?
      A última coisa que se pode exigir de um profissional é que ele mude completamente de personalidade”, diz Scott. Por isso, nada de se forçar a contar uma história hilária para fazer seu chefe gargalhar se você não for um piadista nato — essas tentativas desastradas podem piorar a sua imagem profissional ou, no mínimo, vão fazer você parecer o bobo da corte. “O humor tem que aparecer naturalmente, não pode ser forçado. Caso contrário será malvisto pelos outros”, diz Scott. 

     A questão central para que seu relacionamento interpessoal seja eficiente é se expressar da maneira como você se sentir mais confortável, seja com a expressão séria ou sorridente. No entanto, levar a vida mais leve não faz mal a ninguém. Lembre-se que ficar franzindo as sobrancelhas e revirando os olhos o tempo todo pode ser péssimo para a sua imagem. 

     De acordo com uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Opinium, na Inglaterra, os mal-humorados são responsáveis por 37% da irritação geral no escritório. E você não quer ter esse rótulo colado em seu rosto, certo? Scott insiste que até os mais sérios conseguem melhorar a imagem e se cercarem da aura de leveza.

     “Seus colegas vão perceber que você quer e pode ser uma pessoa mais divertida se começarem a notar seu interesse genuíno pelos problemas dos outros e sua vontade de enxergar pontos positivos mesmo em momentos de crise.” Aproximar-se dos mais risonhos também pode ajudar os mais introvertidos a se soltarem — a convivência com o riso estimula o desenvolvimento de uma postura bem-humorada. Scott explica: “A leveza é um exercício que precisa ser praticado todos os dias.” Comece hoje.

Hora do lanche

VOCÊ S/A falou com endocrinologistas e nutricionistas para saber quais são os alimentos bacanas e quais devem ser evitados no trabalho.

RESPEITE O RELÓGIO
Não é recomendável ficar mais do que cinco horas sem se alimentar, de acordo com o endocrinologista Luciano Giacaglia, de São Paulo. O problema é que, por causa da correria, muitos executivos pulam a hora do almoço e acabam consumindo porcarias no meio do expediente. "É uma bomba-relógio", diz o médico paulista Maurício Hirata (veja o quadro A Conta Chega aos 40).

BOMBA CALÓRICA
Os especialistas condenam a dupla pão de queijo e refrigerante. Além de não ser nutritivo, o pão de queijo apresenta gordura trans, colesterol e farinha refinada, todos altamente calóricos. "Uma unidade do salgado tem em média 300 calorias, enquanto um lanchinho deve ter 150", diz Maurício. Já Luciano lembra que os refrigerantes apresentam quantidades altas de sódio, um veneno para o organismo.

SEM FRITURAS
A nutricionista Nathalia Esteves Califre, de São Paulo, diz que é fundamental ficar longe de produtos industrializados, como Doritos, frituras e doces. "Prefira os sucos naturais e grãos integrais", diz. Pães brancos e bolachas são carboidratos processados, que estimulam a produção excessiva de insulina. O resultado é uma hipoglicemia reativa, que estimula ainda mais a fome. "É péssima dieta de engorda", diz.

BARRINHA DO MAL
O médico Maurício também torce o nariz até para as supostamente inofensivas barrinhas de cereais. "Não é um alimento completo, pois apresenta componentes refinados e adoçante artificial. Só serve como quebra-galho, e olhe lá", diz o médico, que é contra os adoçantes artificiais. "Estudos vêm mostrando que eles podem aumentar a compulsão por doces."

A conta chega aos 40
QUEM COME DEMAIS E ERRADO VAI SENTIR AS CONSEQUÊNCIAS ESPECIALMENTE DEPOIS DOS 40 ANOS. OS EFEITOS SÃO AS CHAMADAS DOENÇAS CRÔNICO-DEGENERATIVAS, COMO DIABETES, HIPERTENSÃO E OBESIDADE. O IDEAL É FAZER REFEIÇÕES BALANCEADAS E EVITAR SENTAR À MESA MORRENDO DE FOME. QUEM FICA MUITO TEMPO SEM COMER ACABA EXAGERANDO NO JANTAR, AÍ DORME MAL E DESREGULA O METABOLISMO. POR ISSO, UM LANCHINHO À TARDE CAI BEM, DESDE QUE SUA ESCOLHA SEJA SAUDÁVEL .


FRUTA FAZ BEM
Os médicos recomendam frutas na hora do lanche no escritório. Dê preferência às cítricas, que são energéticas por causa da glicose, têm água (que ajuda a hidratar o corpo), minerais, vitaminas e fibras. Sucos naturais de caixinha são práticos, mas certifique-se de que realmente não têm adição de açúcar, conservantes ou corantes. Também preste atenção na quantidade de sódio. Uma opção é o suco de maçã da marca Yakult.

FONTE DE PROTEÍNA
Para quem tem uma cozinha disponível no escritório, uma boa opção, segundo o endocrinologista Luciano, é levar num recipiente metade de um milho cozido, fonte de carboidrato e proteína. Aí é só aquecer. Mas, atenção: sem sal e sem manteiga.

PREFIRA O NATURAL
Iogurte natural desnatado tem poder de matar a fome. É bom para o intestino e rico em cálcio (o de 200 ml tem 80 calorias). Shakes podem ser uma alternativa para quem pulou o almoço, mas devem ser consumidos sob prescrição médica, explica a nutricionista Nathalia. Uma porção de 230 ml da Glucerna, da Abott, tem cerca de 220 calorias. São encontrados em farmácias nos sabores chocolate e baunilha.

SANDUBA SAUDÁVEL
Sanduíche de peito de peru (duas fatias) e queijo branco, como ricota, cottage e tipo minas (uma fatia), no pão 100% integral (150 calorias). A proteína gera a sensação de saciedade e estimula o metabolismo, que faz com que o organismo queime calorias. Atenção: o queijo minas é saudável, mas apresenta maior teor de gordura. Fique atento aos rótulos dos pães de forma: nem todos são 100% integrais.

CASTANHA É BOM
Porções moderadas de oleaginosas são uma boa pedida: 10 amêndoas ou 3 castanhas-dopará têm, cada porção, 70 calorias. Com valor nutritivo menor, a castanha de caju também é uma opção. O nutrólogo paulista Durval Ribas Filho sugere se abastecer com uma unidade do queijo Polenguinho (80 calorias), ótima fonte de proteína.